26/03/2013
Por: webmaster

A Música está no Ar

Por Synésio Batista da Costa (*)

Quem conhece nosso trabalho à frente da Abemúsica certamente já está acostumado à nossa defesa intransigente do direito de acesso de pessoas de todas as idades e condições sociais à educação musical – seja ela formal ou não. Por mais óbvio que possa parecer, a porta de entrada a este universo se dá por meio do contato com algum tipo de instrumento musical.

No Brasil, graças a um conjunto de fatores culturais oriundos da própria miscigenação que deu origem ao nosso povo, a relação pessoal com as mais diferentes manifestações musicais se dá desde muito cedo, nos lares, nas esquinas, nas festividades populares, nas igrejas.

Quatro décadas atrás, esta relação se dava também de maneira formal nos bancos escolares, mas foi interrompida sem qualquer justificativa. Com a mudança da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) em 2010 para incluir a Música como disciplina obrigatória da disciplina de Artes no Ensino Fundamental, acreditamos que demos um importante passo para resgatar esta tradição.

Somadas a isso, condições macroeconômicas como o aumento do poder aquisitivo da população criaram as condições para que os instrumentos musicais se transformassem num bem ainda mais acessível.

Não à toa, o setor vem crescendo a taxas de 5 a 6% acima do PIB nos últimos anos. De 2010 para 2011, a indústria faturou 9% mais; para este ano, o crescimento estimado é de 11%, chegando à marca de R$ 666 milhões. Tudo indica que esta projeção da Abemúsica, feita ainda no primeiro semestre de 2012, deva se confirmar. A maior prova é o resultado aferido na mais recente edição da feira Expomusic, realizada em setembro. Somente durante os cinco dias do evento, foram movimentados R$ 250 milhões em negócios imediatos e futuros – quase 40% do esperado para o ano todo.

Para o varejo, formado por cerca de 1,5 mil estabelecimentos espalhados por todo o Brasil, a estimativa é que o ano termine com um faturamento superior a R$ 1 bilhão. Novidades para o público consumidor não faltam. Só na feira, considerada a grande vitrine do setor, foram apresentados 980 lançamentos entre instrumentos musicais e acessórios.

O grande desafio da indústria nacional, agora, é equilibrar uma relação exageradamente desigual: de todo o faturamento anual, 90% vêm das importações e a minúscula parcela restante tem origem na fabricação em solo nacional. A Abemúsica, por um lado, continua firme na defesa da livre concorrência justa, o que exclui a pirataria e o subfaturamento dos produtos importados; por outro, defende e dá suporte a fabricantes brasileiros para que melhorem a qualidade de seus produtos, o marketing, a presença em eventos internacionais do setor.

Tão importante e necessário quanto estas medidas é o desenvolvimento de um mercado consumidor – e esta tem sido uma bandeira da Abemúsica. A um conjunto de ações desenvolvidas no último ano, no qual se inclui a já citada alteração na Lei de Diretrizes e Bases, recentemente criamos o i-Música – Instituto Abemúsica para Educação Musical.

O primeiro projeto, batizado de Planeta Musical, foi apresentando em primeira mão em setembro, durante a Expomusic. Voltado para estudantes carentes do Ensino Fundamental, com idades entre 6 e 14 anos, o projeto contempla inicialmente 360 crianças e 20 educadores para a formação e compra de instrumentos musicais financiados pelo i-Música, em parceria com três ONG’s da região Sul de São Paulo: Casa do Zezinho, Fundação Julita e Projeto Arrastão.

Com o Planeta Musical, queremos também promover o desenvolvimento intelectual e afetivo das crianças por meio de oficinas de percussão, sopro e cordas. Num primeiro momento, o projeto prevê a compra de 60 violões, 60 flautas e 60 instrumentos de percussão, entre afoxés, agogôs e pandeiros – todos instrumentos tipicamente brasileiros e de fabricação nacional.

Entendemos que, deste modo, estamos resgatando uma dívida que temos com o País não só pela inclusão social proporcionada pela música, mas também pelo fomento de uma indústria que gera empregos, recolhe impostos e colabora para o desenvolvimento do País como um todo.

 

(*) Synésio Batista da Costa é presidente da ABEMÚSICA – Associação Brasileira da Música.

 

 





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