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Dr Sin: “Bravo! O Dr Sin está de volta!”
Publicado em: 08/11/2007
Por: Whiplash

Sete anos após o bom “Dr Sin II”, o Dr Sin volta a lançar um CD de inéditas, saciando a sede de vários fãs, apesar de ter posto no mercado um DVD/CD ao vivo, e o CD de versões “Listen To The Doctors”. O site Mundo Rock conversou com Ivan e Andria Busic (bateria e baixo/vocais) e com Edu Ardanuy (Guitarras).

"Listen To The Doctors" foi lançado em 2005. Como vocês analisam a resposta a um CD com uma proposta bem inusitada, de fazer versões para clássicos do rock?

Andria: Foi uma experiência muito boa. Nós sempre quisemos gravar algumas das músicas que fazem parte do CD. É claro que algumas nem conhecíamos, mas a resposta foi ótima.

Houve alguma reação de grupos mais puristas, já que vocês de fato deram a cara do Dr Sin para músicas consagradas?

Edu: Na verdade, ninguém reclamou das versões, mesmo porque acho que todos entenderam que nós não tivemos a intenção de gravar as músicas e tentar melhorá-las. A intenção foi de gravar as músicas com a cara do DR.SIN. E foi muito bom para nós podermos fazer esse projeto, foi muito agradável.

E como foi a turnê? Porque em algumas datas vocês só tocaram 2 ou 3 músicas deste CD?

Andria: A turnê foi muito boa em todos os aspectos e a gente mudava bastante o repertório, para termos a chance de tocar várias músicas do CD. Talvez você esteja falando de alguns shows bem do final da turnê e muita gente queria ouvir as músicas do DR.SIN que nós não tocávamos faz muito tempo.

A banda participou da primeira edição do Live N Louder Rock Fest. Como foi a experiência?

Ivan: Depois de tanto tempo sem grandes festivais no Brasil, foi um presente para o DR.SIN participar do evento, mesmo porque quando você toca em festivais como o LIVE N LOUDER o som no palco é sempre muito bom. E você tem a chance de ver o publico realmente se divertindo, curtindo e cantando suas musicas.

Agora falemos de "Bravo". Desde 2000, com "Dr Sin II" a banda não lançava material próprio? Que fatores vocês apontam para justificar tal demora?

Andria: Nós nem percebemos que estávamos tanto tempo sem gravar um álbum de inéditas, pois nesse meio tempo gravamos um DVD que foi muito trabalhoso e o CD de covers, que nos tomou um grande tempo, pois, como sempre, nos preocupamos com a qualidade dos nossos trabalhos.

Pude ler em algumas entrevistas que o Dr Sin sofreu com problemas administrativos decorrentes de contratos mal-assinados. Ao que vocês exatamente se referem quando falam sobre isso?

Andria: Acho que todas as bandas passam ou vão passar por isso um dia. Nós só não imaginávamos termos tantos problemas com empresários e gravadoras, principalmente fora do país. Isso realmente acaba nos desanimando um pouco, pois você perde a fé nas pessoas e começa a negar várias propostas que na verdade poderiam ser até boas. Mas de qualquer jeito isso também serviu para nos fortalecer como banda e também como amigos.

E como vocês avaliam a parceria com a Dynamo Records, que já lançara o CD "Listen To The Doctors"?

Ivan: A parceria com a DYNAMO é excelente, porque acima de tudo temos uma grande amizade com o Eric (De Haas), que sempre se mostrou muito profissional e amigo disposto a trabalhar e divulgar o nosso trabalho. E agora não está sendo diferente.

Falando sobre "Bravo", existe alguma analogia com o CD "Brutal"? Ou pelo menos houve essa intenção? Como foi a escolha da arte da capa e encarte?

Andria: Analogia direta, acho que não, só se pelo fato de ser uma palavra de entendimento universal, ou se usada como um adjetivo. Se for nesse aspecto podemos dizer que sim, já que “BRUTAL” também pode ser usada da mesma forma que “BRAVO”. A capa foi um trabalho em conjunto da banda com o Gustavo Sazes que criou a arte depois de algumas reuniões que tivemos e o resultado está perfeito no nosso ponto de vista. Estamos muito contentes com o pacote inteiro.

De cara "Drowning In Sin" nos traz o Dr Sin de sempre, intrincado, mas com uma sonoridade mais pesada. Vocês já viram como a banda se sai bem quando soa agressiva? Concordam com isso?

Edu: Para nós é realmente difícil se perguntar se a banda soa melhor assim ou assado, pois sempre que gravamos uma musica é porque ela está realmente do jeito que nós gostamos, senão nem gravaríamos. Mas em todo o caso, muito obrigado pelo elogio.

Outra boa música é "Nomad". Andria, você tem evoluído muito como vocalista. A experiência com Michael Vescera teve influência?

Andria: Não posso negar que me influenciou, pois é um ícone no vocal. Contudo a minha vida tem sido assim desde o início da minha carreira tanto cantando como tocando eu tenho me inspirado nos meus ídolos e tento extrair o melhor de cada um, sem perder minhas características.

Logo depois de duas faixas pesadas vocês inserem a bonita "Empty World", uma boa balada. Foi algo proposital?

Andria: Essa é mais uma pérola composta pelo meu irmão Ivan em um momento muito inspirado. Ele me ligou do Souza Lima onde dá aulas de bateria e estava ao piano cantando e tocando a música, que já soava quase pronta, com exceção da letra, que eu ajudei a compor mais tarde. Eu acho que foi um daqueles momentos em que temos ajuda “lá de cima”, aliás, como em tudo que fazemos.

Confesso que estranhei os experimentos orientais em "Taj Mahal", mas gostei da iniciativa. Como surgiu essa idéia?

Andria: Também foi uma composição do Ivan. Por incrível que pareça, mesmo não sendo um exímio violonista, eu peguei a essência da musica e depois gravamos algumas percussões pertinentes ao arranjo. O fato da composição indiana foi por causa da homenagem ao LED ZEPPELIN feita na música “Celebration Song”. O tema “Taj Mahal” é um prelúdio.

"Hail Caesar" é bem hard, outro estilo aonde o Dr Sin se sai muito bem. O refrão é matador. O Dr Sin é uma banda que consegue ser irrotulável. Como lidam com isso? Como definiriam sua banda musicalmente falando?

Ivan: Nós realmente não gostamos muito desse lance de rótulo, pois achamos que a banda tem, acima de tudo, o estilo do rock influenciado pelos anos 70 com a técnica sempre atualizada, porém nós adoramos bandas de várias décadas como the Beatles, Elvis Presley e assim vai. Também crescemos ouvindo muito jazz e blues o que nos abriu um leque muito grande para a musica. O DR.SIN é uma banda de Rock, onde com certeza sempre vai rolar GOOD TIMES.

Outra boa balada é "C´Est La Vie", mas acho que o título soou meio brega. Como surgiu essa música?

Ivan: Acho que só mesmo ouvindo e sentindo a mensagem entende-se o porquê do nome. Sempre buscamos colocar temas que envolvam situações reais. Essa música narra uma situação na qual estávamos em Paris e fomos tocados por um sentimento profundo. Está entre nossas favoritas na história da banda.

Eu não poderia deixar de citar a ótima "Welcome To The Show". Assim como "Futebol, Mulher e Rock And Roll" (mas não nos mesmos moldes) a banda faz uma grande música simplificando seu estilo. Já pensaram em trabalhar mais com isso?

Edu: Achamos que se trabalhássemos mais um estilo que o outro, ou mesmo se seguíssemos mais uma linha de composição a banda se tornaria muito previsível e ao mesmo tempo muito repetitiva e isso é tudo que não queremos que aconteça com o DR.SIN. Acho que isso acontece até mesmo de uma forma natural sem que tenhamos que dizer para alguém da banda “vamos fazer essa musica assim!”, isso não funcionaria conosco.

Aliás vocês colocaram 16 faixas no CD, o que é arriscado comercialmente. Não temiam que o produto ficasse cansativo, devido a tantas músicas? Sobrou algo não usado?

Edu: Nós nunca nos preocupamos com o que é ou não é comercial, senão estaríamos tocando outro estilo de musica, Mas entendi o que você quis dizer. Eu já disse isso uma vez em uma entrevista, se eu compro um CD de alguém que eu gosto, como por exemplo, o Van Halen, eu gostaria que tivessem umas 20 musicas ou mais. Até ficaram algumas musicas de fora que provavelmente usaremos mais tarde de alguma maneira.

Edu, você esteve no Almah durante um tempo. Inicialmente falou-se que você era um membro da banda, mas logo que "Bravo" foi lançado saiu uma nota dizendo que você só estava dando uma força a Edu Falaschi. Você então não era da banda?

Edu: Eu fui convidado pelo Falaschi para integrar o Almah e fiz alguns shows. Tanto ele quanto eu sabíamos que o DR.SIN é minha prioridade. Na realidade, o Andria e Ivan também participaram do CD do Almah e nossa relação é de amigos. O problema mesmo foi que o “Bravo” saiu e nossa agenda de ensaios, show, entrevistas, entre outras coisas, ficaria pesado para mim. E no final, não seria bom para nenhum lado. Ao mesmo tempo em que era da banda, na realidade não era, pois não se tratam de projetos passageiros e sim bandas de grande porte. Gostei muito de ter participado e desejo sorte aos amigos do Almah.

Muitos consideram o Dr Sin uma banda injustiçada, por não ter feito o sucesso que se espera comercialmente falando. Eu discordo de tal afirmativa, porque vocês têm fãs fiéis e estão sempre fazendo shows, logo esta é uma forma de sucesso. Vocês se sentem de alguma maneira injustiçados no meio musical?

Ivan: Eu acho até que seria uma injustiça nossa dizermos isso, pois temos uma legião de fãs muito fiel e isso é uma coisa muito difícil para qualquer banda, especialmente depois de mais ou menos 15 anos. Não é fácil você conseguir segurar a onda por tanto tempo, você pode ver que várias bandas que estouraram na mídia e venderam muito, hoje em dia nem conseguem encher barzinhos, então nos consideramos uma banda de sucesso, como você mesmo disse. É claro que sempre gostaríamos de ter mais chances para divulgarmos o nosso trabalho, porque dessa maneira atrairíamos ainda mais fãs.

"Bravo" traz mais 16 temas para o "set-list" do Dr Sin. Já pensaram como será o "set" dos próximos shows?

Edu: Na verdade nós gostamos muito de variar em alguns shows então fica um pouco difícil de dizer exatamente qual será o set list final da turnê.

E como estão os planos para a turnê de divulgação?

Andria: Estamos começando a fazer televisão e radio e de agora em diante estaremos totalmente concentrados no “BRAVO”. A turnê já começou e agora só acaba quando gravarmos o próximo álbum.

Muito se mencionou anteriormente numa segunda parte para "Listen To The Doctors". Há alguma chance de esse CD sair algum dia?

Andria: Não sei se isso acontecerá logo, mas já pensamos em fazer o próximo com certeza.

Dezesseis anos de estrada, 8 CD´s na bagagem... como vocês comparam a banda que tocou em 1993 no Hollywood Rock para a banda que hoje lança "Bravo"?

Andria: Bem mais madura e muito mais versátil na sua forma de compor, porém com as mesmas características de sempre. Uma coisa ainda é com certeza a mesma; é a forma de encarar com profissionalismo, seriedade e amor o nosso trabalho, que ao mesmo tempo é nossa diversão.

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